FormasUso

Óleos Essenciais: Formas de Uso

O uso dos óleos essenciais para fins medicinais é conhecido desde a remota antiguidade. Há registros pictóricos de seis mil anos atrás, entre os egípcios, de práticas religiosas associadas à cura de Artigo completo >>

Quimica

Química dos Óleos Essenciais e Número CAS

Escrito por Wagner Azambuja Quimicamente falando, os óleos essenciais são formados por estruturas de terpenos, sesquiterpenos, fenólicos, fenilpropanoicos, alifáticos não terpenos, heterocíclicos; e funções químicas de alcoóis, cetonas, aldeídos, ácidos carboxílicos, ésteres, Artigo completo >>

Extracao

Métodos de extração de Óleos Essenciais

Apesar da destilação a vapor ser a técnica mais comum de extração de óleos essenciais, ela não é a única. Para determinadas porções de plantas, como sementes, raízes, frutos, madeiras e mesmo Artigo completo >>

YinYang

Yin Yang e a Aromaterapia

Escrito por Wagner Azambuja O princípio de Yin e Yang, na filosofia chinesa, diz que duas forças complementares compõem tudo o que existe e do equilíbrio dinâmico entre elas surge todo o Artigo completo >>

Gestacao

Óleos Essenciais na Gestação

Escrito por Wagner Azambuja Durante a gestação, toda mulher vivencia sensações, sentimentos e alterações físicas bastante significativas e particulares deste momento tão especial. Por esta razão, algumas medidas devem ser tomadas pela Artigo completo >>



Óleos Essenciais: O Início de sua História no Brasil

Escrito por Wagner Azambuja

A indústria dos óleos essenciais iniciou as suas atividades no Brasil em 1927, quando começou a extrair o óleo essencial de pau-rosa (Aniba rosaeodora) para substituir a produção franco-guianense que vinha se perdendo em decorrência da intensa exploração da árvore. Mas foi só no final da década de 30, com a ocorrência da Segunda Guerra Mundial, que a indústria nacional passou a se desenvolver. Isto ocorreu porque a guerra afetou e desorganizou todo o comércio europeu, fazendo com que as empresas daquela região buscassem novos fornecedores. O Brasil então apareceu como uma alternativa, afinal, além da mão de obra barata, nosso país chamava a atenção por sua enorme riqueza natural. A partir daí, novas culturas começaram a ser exploradas e passamos a disponibilizar no mercado uma variedade um pouquinho maior de óleos essenciais, como sassafrás, menta, laranja e eucalipto.

A primeira destilação brasileira do óleo essencial de sassafrás ocorreu em 1938 a partir da árvore da Canela-de-sassafrás (Ocotea pretiosa ou Ocotea cymbarum). Pertencente a família das Lauráceas, tal árvore era facilmente encontrada no estado de Santa Catarina e fornecia um óleo rico em safrol, um produto químico que integra a fabricação do piperonal (heliotropina) – utilizado como fixador de aromas e fragrâncias. Em 1942, por exemplo, a produção foi de 40 toneladas, elevando-se para mais de 2000 toneladas em 1970. Porém, em virtude da intensa exploração não sustentável do sassafrás, a árvore entrou para a lista de espécies ameaçadas de extinção e, por isso, teve seu corte proibido.

Destilaria de Sassafrás
Destilaria de Óleo Essencial de Sassafrás em Santa Catarina
Foto tirada em 1985 por José Azambuja, fundador da QUINARÍ

Destilaria de Sassafrás
Destilaria de Óleo Essencial de Sassafrás em Santa Catarina
Foto tirada em 1985 por José Azambuja, fundador da QUINARÍ

Destilaria de Sassafrás
Destilaria de Óleo Essencial de Sassafrás em Santa Catarina
Foto tirada em 1985 por José Azambuja, fundador da QUINARÍ

No Brasil a Mentha arvensis foi introduzida durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, foi só em 1936 que esta espécie passou a ser cultivada com objetivos comerciais, a partir das sementes importadas do Japão. Ao longo da década de 60, cerca de 90% da produção nacional desse óleo se concentrava no Paraná – que geralmente exportava o óleo bruto para a obtenção conjunta de mentol e óleo desmentolado. Pouco tempo depois o Brasil já ocupava a posição de maior produtor mundial, produzindo cerca de 6000 toneladas de óleo bruto por ano e foi assim até o início da década de 70, quando esta atividade entrou em desaceleração. Isto ocorreu em virtude da sobreoferta do mentol brasileiro no mercado mundial. Afinal, os preços deste produto vinham caindo ano após ano e isto não agradava o cenário internacional – que cortou o investimento do setor. Somada à completa exaustão das terras para cultivo, a produção brasileira de Mentha arvensis deu lugar a paraguaia, forçando a emigração dos colonos paranaenses, adaptados a esta cultura, para o Paraguai.

O primeiro registro de extração do óleo essencial de laranja-doce (Citrus sinensis) ocorreu em 1930, em São Paulo, por imigrantes italianos. Mas esta indústria só mostrou sua força durante a Segunda Guerra Mundial, quando passou a atender a demanda norte-americana por este tipo de óleo. Isto porque os norte-americanos, com a guerra, foram obrigados a buscar alternativas para o crescente consumo de solventes que eram utilizados pelas indústrias plásticas, de tintas e de vernizes daquela época. E como o óleo de laranja é rico em d-limoneno, um solvente biodegradável, eles passaram a obtê-lo como uma opção frente à escassez dos tradicionais. Mais adiante, já na década de 60, nosso país passou a abrigar algumas fábricas de sucos concentrados – o que alavancou, definitivamente, as exportações brasileiras do óleo essencial de laranja. Afinal, o óleo passou a ser obtido em conjunto com a produção de suco e como a indústria citrícola cresceu, a oferta de óleo aumentou e os grandes negócios se multiplicaram.

Originário da Austrália, o eucalipto foi introduzido no Brasil em 1855, com o plantio das variedades globulus e citriodora. No começo do século XX, grandes plantações surgiram próximas à cidade paulista de Jundiaí, por uma companhia de estrada de ferro que tinha o seu objetivo básico no aproveitamento da lenha como combustível. Em decorrência da Segunda Guerra Mundial, houve a interrupção das importações de citronela (do tipo Java) para a preparação de fragrâncias. Com isso a indústria brasileira passou a utilizar o óleo essencial de Eucalyptus citriodora como substituto. A produção iniciou-se na década de 40, com a obtenção de 12 toneladas, evoluindo para 350 toneladas no começo da década de 70.

Por fim, vale observar que ao contrário da atual situação dos óleos essenciais de menta e sassafrás, a indústria nacional produtora de óleo essencial de pau rosa mantém as suas atividades em função da preferência das empresas de fragrâncias norte-americanas e européias por este tipo de óleo, ao invés das versões sintéticas do linalol. No entanto, sua exploração só é permitida após a aprovação de um projeto de manejamento sustentável da espécie, incluindo as atividades de replantio das árvores em número igual ou superior às removidas. Já as indústrias dos óleos essenciais de laranja e eucalipto não integram um programa de manejamento tão rigoroso, pois ambas as espécies se adaptam bem a diversas regiões do país e são cultivadas com certa facilidade. Por esta razão, suas indústrias exibem saúde e colocam o Brasil numa posição de destaque frente ao mercado internacional.

Até a próxima!

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Óleos Essenciais: Formas de Uso

FormasUso

O uso dos óleos essenciais para fins medicinais é conhecido desde a remota antiguidade. Há registros pictóricos de seis mil anos atrás, entre os egípcios, de práticas religiosas associadas à cura de males através dos aromas. Já na China e Índia as substâncias aromáticas também eram populares centenas de anos antes da era cristã, quando eram utilizadas em incensos, porções e vários outros tipos de acessórios. Mas foi só a partir da Idade Média, com o processo de destilação introduzido pelos cientistas muçulmanos, que se iniciou a real comercialização dos materiais aromáticos bem como o seu estudo. Era o pontapé da “revolução” nesta área. Logo começaram a surgir os primeiros livros sobre o uso médico das ervas medicinais e seus óleos, criou-se o termo “Aromaterapia”, as técnicas de destilação se renderam a tecnologia e passamos a nos surpreender, dia após dia, com as recentes descobertas que tratam dos poderes da natureza em benefício do ser humano.

A aromaterapia, basicamente, procura transmitir toda a energia (a força vital da planta) concentrada nos óleos essenciais ao paciente. Afinal, esta energia pode atuar positivamente sobre o nosso corpo e mente, trazendo bem estar geral e melhorando a nossa qualidade de vida. Mas é imprescindível alertar que o tratamento terapêutico utilizando os óleos essenciais deve sempre ser administrado por um profissional da área, capaz de avaliar e acompanhar o quadro de cada paciente – levando em consideração seus aspectos físicos, mentais e emocionais. Neste sentido, os óleos essenciais são comumente empregados de três formas distintas: por inalação, absorção pela pele ou ingestão.


Inalação

É considerada a forma mais segura de utilização dos óleos essenciais. Aqui uma parte do aroma inalado vai para os pulmões via traquéia, penetra nos brônquios, bronquíolos e alvéolos e passa para a corrente sangüínea nas trocas gasosas. Em paralelo, a outra parte do aroma vai ate o cérebro e estimula determinadas áreas do sistema límbico e do hipotálamo, que controlam a maioria das funções vegetativas e endócrinas do corpo. Há dois tipos: a inalação direta e a indireta. A inalação direta é utilizada no tratamento de problemas específicos do aparelho respiratório, como asma, bronquite, sinusite, etc. Neste caso, pode-se empregar de 6-15 gotas de óleo em um vaporizador de ambientes a quente ou de 1-2 gotas em um lenço. Já a inalação indireta visa trabalhar o emocional (o psicológico) através dos aromas. Aqui se costuma utilizar de 6-15 gotas em um difusor de aromas de vela/lâmpada ou elétrico.

Curiosidades:

1) a absorção de um óleo essencial depende do tamanho da molécula, da sua polaridade e da sua solubilidade. Assim, os monoterpenos, por serem de tamanho menor, são mais rapidamente absorvidos em relação aos sesquiterpenos.

2) cerca de 2% a 3% do código genético humano está ligado ao olfato, o que explica o nosso reconhecimento e rememoração para aproximadamente 10 mil odores diferentes.


Absorção pela pele

Na aromaterapia a via de administração mais utilizada é a cutânea, pois além da ação farmacológica das substâncias que compõem o óleo, a massagem por si só já traz claros benefícios ao paciente. No entanto, é imprescindível saber fazer a diluição do óleo essencial nos óleos carreadores para se obter uma boa ação terapêutica. Vejamos alguns exemplos, assumindo que 1 ml de óleo equivale a 22 gotas.

Diluição 1% – usada para óleos de aroma muito forte ou caros como jasmim, neroli e rosas.
1 colher de sopa de óleo carreador – cerca de 1-2 gotas de óleo essencial;
50 ml ou 50 gramas – 11 gotas ou 0,5 ml de óleo essencial;
100 ml ou 100 gramas – 22 gotas ou 1 ml de óleo essencial;
250 ml ou 250 gramas – 55 gotas ou 2,5 ml de óleo essencial.

Diluição 2% – usada para peles muito sensíveis e com tendência alérgica (tipo de bebês). Também é empregada para óleos caros e fortes.
1 colher de sopa de óleo carreador – cerca de 2-3 gotas de óleo essencial;
50 ml ou 50 gramas – 22 gotas ou 1 ml de óleo essencial;
100 ml ou 100 gramas – 44 gotas ou 2 ml de óleo essencial;
250 ml ou 250 gramas – 110 gotas ou 5 ml de óleo essencial.

Diluição 3% – comumente usada na massagem aromaterápica para melhor ação medicinal.
1 colher de sopa de óleo carreador – cerca de 5-6 gotas de óleo essencial;
50 ml ou 50 gramas – 33 gotas de óleo essencial;
100 ml ou 100 gramas – 66 gotas de óleo essencial;
250 ml ou 250 gramas – 165 gotas de óleo essencial.

Diluição 5% – usada em problemas agudos como dores e inflamações sérias.
1 colher de sopa de óleo carreador – cerca de 9-10 gotas de óleo essencial;
50 ml ou 50 gramas – 55 gotas ou 2,5 ml de óleo essencial;
100 ml ou 100 gramas – 110 gotas ou 5 ml de óleo essencial;
250 ml ou 250 gramas – 275 gotas ou 12,5 ml de óleo essencial.

PS: alguns óleos essenciais conseguem penetrar nas camadas da pele e atingir a circulação sanguínea com grande facilidade. Por esta razão, há diversas pesquisas no sentido de utilizá-los como “facilitadores” do transporte de medicamentos. Por exemplo, estudos comprovaram que o componente 1,8-cineol, presente nos óleos essenciais de citronela e eucalipto globulus, aumentou em 95% a capacidade de penetração cutânea de alguns medicamentos alopáticos.


Uso oral ou ingestão

É a forma de utilização que permite uma ação mais rápida, mas que também oferece maiores riscos de intoxicações, sendo indispensável, nesse caso, a supervisão de um especialista para se evitar efeitos e reações indesejáveis. Por exemplo: o óleo essencial de erva de Santa Maria (Chenopodium ambrosioides) contém ascaridol – um componente que pode matar mesmo em pequenas doses.

Regras gerais

1 – manter os óleos essenciais fora do alcance das crianças e animais;
2 – não ingerir qualquer óleo essencial sem a orientação de um profissional habilitado;
3 – não utilizar óleos essenciais puros diretamente sobre a pele;
4 – durante a gravidez, diversos óleos essenciais devem ser evitados;
5 – óleos essenciais cítricos são fotossensíveis, portanto deve-se evitar a exposição ao sol após seu uso;
6 – epilépticos devem administrar os óleos essenciais com extremo cuidado;
7 – alguns óleos são incompatíveis com certos medicamentos homeopáticos, principalmente aqueles que contém cânfora e mentol em suas composições;
8 – evitar o uso prolongado de um óleo essencial.

Fim!

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Química dos Óleos Essenciais e Número CAS

Quimica

Escrito por Wagner Azambuja

Quimicamente falando, os óleos essenciais são formados por estruturas de terpenos, sesquiterpenos, fenólicos, fenilpropanoicos, alifáticos não terpenos, heterocíclicos; e funções químicas de alcoóis, cetonas, aldeídos, ácidos carboxílicos, ésteres, óxidos, acetatos e vários outros – quase sempre apresentando uma mistura bastante complexa entre esses elementos. Por exemplo, o óleo essencial de rosas possui cerca de 300 componentes, cada qual com a sua característica e ação bioquímica no organismo humano. Isto explica, em partes, porque um determinado óleo pode agir contra um fungo da unha do pé e, ao mesmo tempo, atuar como antidepressivo e calmante.

No entanto, alguns resultados só são alcançados por meio da sinergia entre esses componentes. Ou seja, eles dependem da interação do todo, desde os elementos que estão em maior proporção no óleo, chamados de “ativos majoritários”, como dos que estão em menor proporção. Pesquisas indicam que o timol, ativo majoritário do óleo essencial de tomilho, não possui a mesma eficiência do óleo contra algumas espécies de bactérias – mesmo sendo ele (o timol) um poderoso anti-séptico. E isto se repete para vários outros óleos e seus ativos, embora, é claro, não seja uma regra.

Voltando à química, a estrutura-base dos óleos essenciais são os monoterpenos, que apresentam 10 átomos de carbono, e os sesquiterpenos, com 15. Assim o timol, de fórmula molecular C10H14O, é um monoterpeno. Já o bisabolol, da camomila alemã e que apresenta fórmula C15H26O, é um sesquiterpeno. E não é só, afinal, esses componentes ainda são classificados de acordo com diversos outros atributos, como por exemplo: o timol é um fenol (ácido carbólico) porque apresenta em sua estrutura uma hidroxila (-OH) ligada a um anel aromático. E o bisabolol é um álcool devido à mesma hidroxila, mas desta vez unida a um átomo de carbono saturado. Complicado? Talvez a primeira vista.

Com o objetivo de facilitar a busca de informações sobre um determinado elemento químico, como um óleo em específico e todos os seus componentes, surgiram diversos recursos. Dentre eles, o CAS (Chemical Abstracts Service) sem dúvida é um dos mais interessantes, afinal ele se refere ao “número de identidade” de qualquer substância química, pura ou composta, oficialmente registrada. Isto significa que todo constituinte químico de um óleo essencial possui um CAS, assim como o próprio óleo. O CAS do óleo essencial de tomilho, por exemplo, é 8007-46-3 e do timol 89-83-8. Isto ajuda, e muito, pois com um simples número podemos obter instantaneamente, na internet, a ficha completa de qualquer elemento. Que belo empurrão, não?

Para concluir:

Os óleos essenciais fazem parte de um universo tão cheio de minúcias que detalhá-lo por completo seria uma tarefa praticamente impossível para um artigo de poucas linhas como esse. Por exemplo: seriam necessárias páginas e páginas para listar e expor todas as propriedades físico/químicas dos mais de 300 componentes do óleo essencial de rosas. Assim como explicar o porquê de todas as funções orgânicas. Então, a idéia aqui só foi mostrar que os óleos essenciais são uma mistura complexa de diversos elementos. Há aldeídos, alcoóis, fenóis, ésteres, cetonas e vários outros, todos com as suas próprias características e particularidades. E que de posse de um simples número é possível obter uma série de informações sobre qualquer substância – o que pode ser o “ponto de partida” no estudo dos óleos essenciais e seus componentes.

(*) o CAS, ou número CAS, possui três partes: a primeira tem até seis algarismos, a segunda até dois e a terceira apenas um (número de controle) – que são atribuídos sem nenhum critério;
(*) existe o que se domina de “nanopolifarmassinergia”, ou seja, a presença de pequeníssimas quantidades de certos componentes, na ordem de nanogramas (0,000000001g), que apresentam ação terapêutica quando estão na presença de outros elementos em maior concentração, em sinergia com a totalidade dos componentes do óleo essencial.

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Métodos de extração de Óleos Essenciais

Extracao

Apesar da destilação a vapor ser a técnica mais comum de extração de óleos essenciais, ela não é a única. Para determinadas porções de plantas, como sementes, raízes, frutos, madeiras e mesmo algumas flores, o arraste de vapor não tem a mesma eficiência que alcança com as folhas. Por isso há outros métodos, que veremos a seguir.

Prensagem a frio

É o método mais usado para a extração de óleos de frutos cítricos como bergamota, laranja, limão, grapefruit, etc. Nele os frutos são colocados inteiros e diretamente em uma prensa hidráulica, máquina que faz a coleta do suco e dos óleos presentes na casca. Essa mistura, por sua vez, é transferida para uma centrífuga onde ocorre a separação do óleo puro.

Além dos óleos cítricos, diversos tipos de óleos vegetais (ou carreadores) são extraídos por este método. É o caso do óleo de amêndoas, castanhas, gérmen de trigo, etc. Obs: os óleos carreadores são utilizados para veicular os óleos essenciais, seja para ingestão, odorização ambiental, massagem ou fim cosmético. Ou seja, são óleos que, dentre outros fins, servem para diluir os óleos essenciais uma vez que sua aplicação de forma pura pode provocar diversos problemas (por exemplo: intoxicação, irritação da pele e outros).

Turbodestilação

A turbodestilação é a técnica mais usada para se extrair o óleo de plantas cujos tecidos retém a seiva de forma mais intensa. Ou melhor, é empregada em situações onde a extração do óleo essencial é mais difícil em virtude das próprias características do vegetal. Aqui as porções da planta a serem destiladas são imersas em água, e o vapor é posto a circular nesta mistura, seguindo-se, daí em diante, o processo normal de destilação.

Enfleurage

Esta técnica é utilizada na extração de óleos mais instáveis, que podem perder completamente seus compostos aromáticos se extraídos por outros métodos. Trata-se de um processo bastante lento, complexo e caro geralmente aplicado em algumas flores, como nas de jasmim. No enfleurage, as pétalas são colocadas imersas em uma placa com óleo vegetal ou animal sem cheiro. Diariamente essas pétalas são substituídas por outras, ainda frescas e recém-colhidas até que uma quantidade considerável de óleo seja absorvido por esta massa gordurosa (que age feito uma esponja). Então, quando a concentração de óleo é obtida, a gordura é filtrada e destilada. O concentrado oleoso resultante desse processo é misturado a um álcool, que é novamente destilado. Desta destilação, obtém-se o óleo essencial!

Este é um processo difícil e demorado, ainda praticado em algumas fazendas no interior da Europa!

Hidrodestilação

Na hidrodestilação a matéria-prima vegetal é completamente mergulhada em água, sem que a temperatura ultrapasse os 100 C. Neste processo, evita-se a perda de compostos sensíveis a altas temperaturas, mas, em compensação, torna a destilação mais lenta e com menor rendimento. Trata-se de uma técnica de destilação bastante antiga (artesanal), mas que continua sendo praticada em países atrasados cujas caldeiras a vapor ainda não chegaram.

Solvente

Determinados tipos de óleos são muito instáveis e não suportam o aumento de temperatura. Neste caso, podem ser utilizados solventes (como o hexano) para extraí-los. A extração ocorre misturando o solvente ao óleo, criando uma solução que será posteriormente dissolvida em álcool de cereais – para remover o solvente. Assim, com a evaporação do álcool o absoluto aparece!

Mas a extração por solvente tem suas desvantagens. Resíduos do solvente podem ficar no absoluto e causar efeitos colaterais. Também é uma técnica complicada que exige conhecimentos sobre reações químicas e especificidades de cada óleo.

Gás Refrigerante

Esta extração baseia-se na utilização de uma substância química que tem afinidade com as moléculas constituintes do óleo essencial, agindo assim como solvente. Este solvente tem a característica físico-química de um gás na temperatura e pressão ambiente de 20º C e 1atm, respectivamente. Deste modo, após a extração, o solvente assumirá a condição de gás e se retirará do óleo essencial sem deixar resíduos. A substância utilizada é 1,1,1,2-tetrafluoroetano (a mesma encontrada em alguns refrigeradores da BRASTEMP em substituição ao freon), cuja temperatura de ebulição é de -26º C a 1 atm. Este método tem a capacidade de extrair um óleo essencial rico em constituintes terpênicos, que apresentam pequenas estruturas químicas e por isso são mais leves.

CO2 Hipercrítico

A extração por dióxido de carbono hipercrítico utiliza o dióxido de carbono sob extrema pressão (200 atmosferas) e temperatura mínima de 33 ºC para extrair óleos essenciais. As partes da planta a serem empregadas na extração são postas no tanque onde é injetado dióxido de carbono líquido que age como solvente. Quando a pressão diminui, o dióxido de carbono retorna a seu estado gasoso, não deixando qualquer resíduo no produto final.

Muitas das extrações por CO2 possuem um fresco, claro e característico aroma de óleos destilados a vapor, e eles cheiram de forma muito similar à planta viva. Estudos já demonstraram que os óleos essenciais extraídos por este método mantêm em completa integridade seus compostos ativos.

Este método é o que permite se obter os óleos essenciais de melhor qualidade possível e de maior potência terapêutica. O aroma de um ylang ylang extraído por destilação a vapor não poderá jamais ser comparado ao de um ylang ylang extraído por CO2, o mesmo dizemos para o gengibre e todos os outros óleos essenciais.

Para finalizar, vale lembrar que o método de extração afeta diretamente a composição química de um óleo essencial. Exemplos:

1) o óleo essencial de olíbano, quando extraído por CO2 Hipercrítico, produz um óleo rico em triterpenóides (com cinco unidades de isopreno), os quais possuem ação antiinflamatória. No entanto, quando o óleo é obtido por arraste de vapor, estes componentes são degradados durante o processo e por isso não aparecem na composição.

2) o bergapteno (5-metoxipsoraleno), elemento fotossensibilizante encontrado na casca de alguns cítricos, também desaparece nos óleos essenciais extraídos por arraste de vapor, porém, é facilmente identificado nos óleos obtidos por prensagem.

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Cromatografia e Cromatograma

Escrito por Wagner Azambuja

Cromatografia

Cromatografia é o nome do método composto por diversas técnicas que tem como objetivo principal a separação e a identificação das substâncias de uma mistura – de um óleo essencial, por exemplo. Basicamente, ela acontece pela passagem dessa mistura por duas fases: uma estacionária (fixa) e outra móvel. A fase estacionária é formada de um material que retém de forma diferenciada os componentes da amostra a ser analisada. Já a fase móvel é o material que se desloca pela fase estacionária, arrastando os componentes da amostra. Então, após “transitar” pela fase estacionária, os componentes da amostra se separam e são identificados pelo sistema detector, do primeiro componente menos retido ao último mais retido pela fase estacionária.

Cromatograma

É o gráfico que “traduz” os resultados da análise cromatográfica, possibilitando assim a identificação dos componentes da mistura. Neste gráfico, cada substância é representada por picos – cujo número de picos depende da precisão do cromatógrafo, da finalidade prática do experimento e também, é claro, da complexidade da amostra. É por isso que alguns cromatogramas exibem apenas 3 picos e outros, sobretudo de trabalhos acadêmicos, 300 ou mais. A figura abaixo, por exemplo, mostra um cromatograma para o óleo essencial de lavanda (Lavandula officinalis), onde é possível identificar quem são os seus componentes bem como a proporção (%) que cada um ocupa no óleo. Legal, não?

De acordo com o cromatograma esta amostra contém:

1 – 3,4% de limoneno, que apresenta atuação terapêutica no tratamento do câncer, protege o tecido pulmonar e tem efeito solvente sobre as células adiposas e colesterol ruim.

2 – 30,9% de linalol, que é bactericida, fungicida, acaricida, ansiolítico (reduz a ansiedade), sedativo e antidepressivo.

3 – 3,3% de cânfora, que é estimulante da pressão sanguínea, anti-séptico e anestésico.

4 – 29,3% de acetato de linalila, que é antiinflamatório.

5 – 16,1% de acetato de citronelila, que é antimicrobiano e bactericida.

A sinergia destes componentes, juntamente com os outros, em quantidades menores, fornecem a atuação terapêutica do óleo essencial de lavanda – que é indicado para contusões, dores musculares, distúrbios gástricos, queimaduras, inflamações provenientes de picadas de insetos, insônia, dentre outros.

Basicamente o cromatógrafo de gás é constituído por 5 elementos: (1) a fonte do gás de transporte, num cilindro a alta pressão, munido de reguladores da pressão, (2) os sistema de injeção da amostra, (3) a coluna de separação, (4) o detector e (5) o registrador.

A primeira técnica cromatográfica foi inventada por volta de 1900 pelo botânico russo Mikhail Semyonovich Tswet, que utilizou éter de petróleo (fase móvel) através de uma coluna de vidro preenchida com carbonato de cálcio (fase estacionária) para separar os componentes de um extrato de folhas.

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Produção de Óleos Essenciais

Aprenda como os óleos essenciais são produzidos através da demonstração (vídeo abaixo) do funcionamento de um destilador de pequeno porte!

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Azuleno

Escrito por Wagner Azambuja

O azuleno, de fórmula molecular C10H8, é um composto orgânico isômero do naftaleno que foi originalmente descoberto no milefólio (Achillea millefolium), popular mil-folhas, e no tree wormwood (Artemisia arborescens), uma planta do mesmo gênero do absinto. Nomeado em 1863 por Septimus Piesse, ele apresenta – na maioria das vezes – uma intensa e brilhante coloração azulada, podendo também ser encontrado em alguns fungos, como no exótico cogumelo Lactarius indigo, e invertebrados marinhos. Quimicamente, o azuleno pertence ao grupo dos hidrocarbonetos bicíclicos insaturados, com ponto de fusão em 99/100º C e ebulição em 242º C. Porém, são os seus derivados, como o guaiazuleno, vetivazuleno e camazuleno, os componentes mais estudados e utilizados pela indústria – com destaque para o camazuleno, extraído do óleo essencial de camomila alemã (Matricaria recutita).

O óleo essencial de camomila alemã, conhecido internacionalmente por Chamomile German Blue Oil, é extraído a partir dos capítulos florais da Matricaria recutita. Ele deve apresentar, segundo a farmacopéia brasileira, um rendimento mínimo de 0,4% em relação ao peso seco de suas “flores”. Trata-se de um óleo nobre, facilmente identificado pelo seu aroma e por sua profunda coloração azulada devido à presença do camazuleno – que pode representar até 35% de sua composição. No entanto, este componente só aparece no óleo essencial. Afinal, é formado durante o processo de destilação a partir de seu precursor, a matricina (procamazuleno). A matricina é uma lactona sesquiterpênica incolor naturalmente presente na camomila que, ao ser submetida ao calor/pressão resultantes da destilação, dá origem ao famoso camazuleno. Isto significa também que não existe a menor possibilidade de se tomar um chá (por infusão) de camomila colorido de azul.

O camazuleno é um componente bastante utilizado na fabricação de diversos produtos. Porém, ele é mais empregado nas indústrias cosméticas e farmacêuticas devido as suas propriedades analgésicas, antiinfecciosas, antialérgicas e antiinflamatórias. Exemplos: segundo alguns autores, o camazuleno pode ser classificado como um potente antiinflamatório porque é capaz inibir a ciclooxigenase (COX), a enzima chave que catalisa a conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxanos. Já em outro estudo, constatou-se que as formulações tópicas a base de camazuleno apresentam bom efeito analgésico, atividade fotoprotetora e ação estimulante sobre os processos de regeneração dos tecidos (granulação e epitelização). E não é só. A cada dia que passa o camazuleno fica ainda mais curioso e interessante em virtude de suas propriedades, no entanto, é importante lembrar que ele não deve ser utilizado para o tratamento de qualquer problema de saúde sem o acompanhamento de um profissional.

Para finalizar, os óleos essenciais que contém camazuleno costumam ser classificados em “frescos” ou “oxidados” de acordo com algumas alterações na sua cor. Não se trata de uma regra, mas em alguns casos este simples cuidado visual pode ajudar aos menos experientes a não comprar gato por lebre. Funciona assim: os óleos frescos geralmente são marcados pelo belo e profundo tom de azul. Por outro lado, os oxidados apresentam uma pálida coloração escura, que varia do verde ao quase preto!

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Óleo Essencial de Neroli

A laranja amarga (Citrus aurantium), também conhecida como laranja-de-sevilha, laranja-silvestre e laranja-da-terra, é originária da Ásia tropical e atualmente vem sendo cultivada em vários países. Planta da Família das Rutáceas, trata-se de uma árvore de porte pequeno ou médio, que atinge de 6 a 10 metros de altura. Apresenta copa densa e em formato esférico. Os caules são espinhosos e as folhas são simples e alternas. Já o fruto possui casca grossa e coloração alaranjada, tendendo ao vermelho à medida que amadurece. As flores, por sua vez, são axilares, brancas e muito perfumadas – são elas as responsáveis pelo perfume indescritível que inunda as ruas da cidade de Sevilha, na Espanha, quando as laranjeiras estão floridas na primavera. Com relação às propriedades medicinais dessa árvore, sabe-se que, além do fruto, suas folhas são usadas em infusões como carminativas (auxilia na digestão) e antitérmicas em casos de gripes e resfriados. Já as flores são sedativas e antiespasmódicas; e o epicarpo do fruto (a camada externa) é usado como regulador da digestão.

O óleo essencial de neroli é considerado um dos óleos mais finos e requintados do planeta. Ele é obtido a partir da flor da laranjeira amarga e, como veremos adiante, “vale ouro” no mercado de óleos essenciais. A lenda conta que o termo “neroli”, usado para designar a flor da laranjeira, surgiu no século XVII devido a paixão de Marie-Anne de la Trémoille pelo aroma dessa flor. Marie-Anne, naquela época era a princesa da “cidade de Nerola” e sempre perfumava suas luvas com essa doce e deliciosa fragrância. Com o tempo, as pessoas começaram a associar a flor à jovem princesa, o que resultou nessa troca de nomes que hoje conhecemos. O óleo de neroli, de coloração amarelada e de aroma floral doce insubstituível, também se tornou famoso por seu alto valor de mercado. Inclusive, cabe aqui uma ressalva: não existe óleo essencial de neroli 100% puro barato! Nunca! Tal preço se justifica pela enorme quantidade de flores exigidas para se obter 1 quilo de óleo: aproximadamente 2 toneladas.

O óleo essencial de neroli, de acordo com a literatura, tem poder anti-séptico, digestivo, sedativo, antidepressivo, bactericida, fungicida, emoliente, carminativo, afrodisíaco e desodorante. Na pele, ele ajuda a eliminar as manchas, cravos e espinhas. Alias qualquer tipo de pele pode se beneficiar de suas propriedades, no entanto, as secas, irritadas ou sensíveis respondem melhor ao tratamento com este óleo. Ele também ajuda nos casos de insônia, estresse, problemas sexuais, cólicas, má circulação e dores de cabeça. Mas atenção: ele não pode ser utilizado 100% puro sobre a pele! Nem ingerido! O ideal é diluí-lo em um óleo vegetal seguindo como parâmetro a ordem de 1%.

Em inglês: Neroli Oil

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Óleos Essenciais e suas Notas

Escrito por Wagner Azambuja

Os óleos essenciais são substâncias voláteis que apresentam diferentes taxas de evaporação. Ou seja, enquanto existem óleos rápidos e leves – como os de laranja e eucalipto – há óleos lentos e pesados – como os de patchouli e sândalo. Então, para classificá-los de acordo com essas taxas, surgiu a escala de evaporação. A escala de evaporação está na ponta da língua de qualquer perfumista que se preze e funciona dividindo os óleos em três categorias: os de notas altas (de saídas), médias (de corpo) e básicas (de fundo). Os óleos que apresentam notas altas são familiares, leves e menos complexos. Eles agradam com facilidade e são os aromas que percebemos logo no primeiro contato com o perfume. Também são os de ação mais rápida e devem predominar onde há extrema letargia, melancolia ou falta de interesse.

Já os óleos de notas médias geralmente são os responsáveis pelo tom de sensualidade, paixão e romance de um perfume. É a nota que serve de ponte entre os óleos altos e básicos e por isso assegura a liga da composição. Elas incluem a maioria dos temperos – cardamomo, pimenta, etc. – e muitas das ervas, incluindo lavanda e hortelã. Aqui também encontramos o manjericão, usado para o tratamento da incapacidade de se concentrar ou de assimilar informações, o hissopo, para pressão sanguínea alta ou baixa e a sálvia para disfunções menstruais.

Por fim temos os profundos e misteriosos óleos de notas básicas. Eles são usados como fixadores e estão entre os ingredientes mais antigos da perfumaria – afirma-se que o sândalo, por exemplo, tem uso contínuo por pelo menos quatro mil anos. Trata-se da nota de maior duração e que serve de âncora para as demais, respondendo pela profundidade da composição. Neste grupo encontramos a maioria das resinas e madeiras, que além da solidez também tendem a acalmar e são utilizadas no tratamento de pessoas nervosas e inquietas. Assim é feita a composição de um perfume. Como na culinária, deve ser um processo de tentativa, erro e ajustes entre as notas para criar um produto harmônico e durável!

PS: o aroma de um óleo essencial é o resultado da soma de todos os seus componentes (sinergia) e não advém apenas de seus ativos majoritários. Em alguns casos, inclusive, são os elementos presentes em pequeníssimas quantidades é que determinam o seu perfume. O cheiro do óleo essencial de grapefruit (Citrus paradisi), por exemplo, é caracterizado por três elementos cuja participação no óleo é mínima – são eles: 1-p-menteno-8-tiol, 4-mercapto-4-metil-2-pentanona e o nootkatone. Ou seja, apesar do óleo essencial de grapefruit apresentar elevada concentração de d-limoneno, como qualquer outro óleo de frutas cítricas, são os elementos presentes em menor proporção que fazem dele único e especial.

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Yin Yang e a Aromaterapia

YinYang

Escrito por Wagner Azambuja

O princípio de Yin e Yang, na filosofia chinesa, diz que duas forças complementares compõem tudo o que existe e do equilíbrio dinâmico entre elas surge todo o movimento e mutação. Yang está associado com o dia, o sol, a primavera, o verão, o aumento e a expansão. É ativo, quente, energizante e representa as partes superiores do corpo. Yin, por outro lado, está associado com a noite, a lua, o outono, o inverno, a diminuição e a contração. É passivo, frio, relaxante e representa as partes inferiores do corpo. Nosso equivalente ocidental seria o “positivo” e o “negativo”, no entanto, associar Yang com aspectos bons e Yin com aspectos ruins está completamente errado. Por exemplo: podemos afirmar que o dia é bom e a noite é ruim?

Nada é totalmente Yin ou totalmente Yang; são apenas termos correspondentes. Se algo é Yin, devemos entender que as suas qualidades são mais Yin do que Yang. Conforme o sol se levanta, Yin vai diminuindo e Yang vai aumentando até chegar ao seu zênite, o ponto máximo da influência de Yang sobre Yin. Ou seja, ambas as qualidades estão sempre presentes e não há mudanças súbitas de uma para a outra. Elas sempre se equilibram.

A aromaterapia está intimamente ligada ao princípio de Yin e Yang, afinal, a complexidade química dos óleos essenciais permite a existência de ambas as qualidades na mesma substância – sempre havendo predominância de uma delas. Os óleos essenciais de rosas e gerânio, por exemplo, são freqüentemente usados durante a menopausa, quando ocorre uma queda da energia Yin na mulher. Já os óleos de alecrim, canela, gengibre e tomilho são Yang, sendo utilizados instintivamente no inverno para aquecer, ou seja, para atenuar a influencia de Yin. No entanto, há certas divergências entre os aromaterapeutas quanto as qualidades Yin e Yang predominantes nos óleos essenciais. O óleo essencial de lavanda, conhecido por suas propriedades sedativas, é citado no livro A Arte da Aromaterapia, de Robert Tisserand, como sendo Yang. E agora? Pois bem, enquanto os estudiosos ainda se entendem quanto às qualidades deste ou daquele óleo, parece haver um consenso em relação à maioria. Eis alguns:

Alecrim: Yang
Camomila: Yin
Canela: Yang
Gengibre: Yang
Gerânio: Yin
Rosas: Yin
Tomilho: Yang

Para finalizar, Yin e Yang são tradicionalmente representados em posições opostas, mostrando Yin no interior de Yang e Yang no interior de Yin – um equilibrando perfeitamente o outro.

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